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Centro Cultural Popular do Grajaú – CCPG

Justificativa

A região metropolitana de São Paulo sofreu um aumento populacional bastante acentuado nas últimas décadas, passando de 10 milhões para 17,2 milhões de pessoas.

Esse crescimento não veio acompanhado, na mesma proporção, por garantias mínimas de qualidade de vida, revelando intensas desigualdades sociais que aumentaram as situações de exclusão, de privação de direitos e de todo tipo de carência. A violência se agravou, o desemprego cresceu e o salário mínimo sofreu, nos últimos 25 anos, uma perda de valor de 42%. A situação da área é agravada pela ausência de uma política pública voltada para regiões periféricas.

Fé e Alegria  São Paulo, após uma análise da realidade das diversas áreas críticas da cidade de São Paulo e com o apoio, principalmente, dos dados apresentados no Mapa de Exclusão Social da cidade de São Paulo identificou o distrito do Grajaú, zona sul da cidade, como região mais carente de investimentos em projetos voltados para o protagonismo juvenil comunitário.

Esse distrito se apresentava em último lugar (96º) do ranking de exclusão social, com o índice mais baixo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A região abriga mais de 333.436 habitantes, numa área de 92 Km² configurando o distrito de maior população da cidade de São Paulo.

No que se refere aos anos de estudo dos/das responsáveis por domicílios, o Grajaú apresenta 28,6% deles classificados como ‘sem instrução ou até 3 anos de estudo’, tendo apenas 1,2% com ‘mais de 15 anos de estudo’, enquanto as médias do município são de, respectivamente, 17,8% e 14,1%.

O quadro de exclusão social colabora com os altos índices de violência: a taxa de homicídios que em 1999 foi de 82 por 100.000 habitantes; em 2000, cresceu para 85,77 por 100.000, a maior taxa entre os 96 distritos do município, com 286 mortes por homicídios. Com tais índices, é o distrito mais violento da capital. (Fonte: PRO-AIM/PMSP)
Além de todo o confuso sistema onde se entrelaçam os problemas, a maior parte do distrito está em áreas de mananciais; portanto, zona de ocupação restrita. Porém, mesmo assim, acabaram se transformando na alternativa de moradia para as camadas mais pobres, um espaço ‘disponível’ para ocupações a baixo preço, com o acesso através de corretores, ou grileiros, expondo uma população desinformada, desorientada e literalmente sem ter pra onde ir, expostos a toda a sorte de desmandos.

A falta de uma política de habitação, somada ao desemprego, desaloja a população mais pobre, que não pode pagar alugueis, e deslocando-as para as regiões periféricas. Pelo fato da área ser de mananciais, as terras têm pouco valor no mercado formal, mas, mesmo assim, isso gera um mercado ilegal extremamente ativo.

Esse fato intensifica os problemas de uma ocupação predatória – lotes irregulares, sem demarcação, sem saneamento básico, nem canalização de água e esgotos – que provoca o desmatamento e a poluição da região e, por conseqüência, das águas que abastecem parte da cidade.

Além disso, essa situação expõe milhares de pessoas a viver em áreas de risco, sem o atendimento de necessidades básicas para moradia e, ainda, sem a possibilidade de encaminhamento nos tramites legais. Através de ligações clandestinas, bairros inteiros têm um precário abastecimento de água e energia. As reivindicações de regularização de lotes, escolas, creches, benefícios considerados urbanos, no geral, esbarram no impedimento legal.

Diante dessa situação, no distrito do Grajaú, Fé e Alegria atua segundo os princípios de compromisso com as comunidades carentes, realizando ali um trabalho com base no protagonismo juvenil e na parceria com instituições locais.